Qual a diferença entre cardioversão e desfibrilação?


As arritmias cardíacas são frequentes nos plantões de emergência. Algumas delas são bem graves e podem levar ao óbito. Não é incomum a dúvida entre cardioversão ou desfibrilação vir junto com o carrinho de parada. Afinal, qual estratégia devemos utilizar?

De maneira geral, utilizamos o desfibrilador em situações de parada cardíaca, isto é, em paciente virtualmente morto. Na desfibrilação, o choque é liberado no exato momento em que o botão de choque é pressionado, visando gerar uma despolarização global do coração visando que ele assuma o ritmo próprio. É utilizado em casos de fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso.

O cardioversor elétrico é utilizado em pacientes vivos, isto é, fora das situações de parada cardíaca. A principal diferença é que o choque é sincronizado com a onda R. Com isso, despolarizamos o coração no exato momento em que ele deve despolarizar, evitando o fenômeno "R sobre T" onde o choque fornecido no período refratário do coração poderia levar à parada cardíaca. A cardioversão será utilizada em arritmias ventriculares com pulso e em todas supraventriculares. A principal indicação é a presença de instabilidade hemodinâmica diante de tais arritmias. São critérios de instabilidade hemodinâmica: rebaixamento de nível de consciência, hipotensão arterial, dor torácica e dispnéia.

Em resumo, desfibrilamos que está "morto" e cardiovertemos que está "vivo".

BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Professor do Curso Plantão Médico

Professor substituto de Cardiologia - UFRJ

Mestrando em Engenharia Biomédica - COPPE UFRJ

Diretor Científico do Departamento de Doença Coronária - SOCERJ

Título de Especialista em Cardiologia, Terapia Intensiva e Ecocardiografia

#cardioversão #desfibrilação #arritmias

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